Manejo florestal

Um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento sustentável na Amazônia foi a consolidação do manejo florestal como técnica adequada para exploração racional, equilibrada e econômica dos recursos florestais. O manejo florestal consiste, basicamente, no planejamento da atividade para que a exploração cause o menor impacto possível sobre a floresta. A colheita florestal é direcionada para as árvores adultas, de valor comercial, sendo marcadas em um mapa para otimizar e facilitar as atividades, minimizando os danos nas árvores remanescentes e assegurando às árvores mais jovens melhores condições de espaço, ar, luz e nutrientes, pela diminuição da concorrência.Como a floresta é um bem natural renovável, o manejo florestal possibilita o aproveitamento comercial das árvores adultas e o retorno à área no intervalo de 20 a 30 anos (ciclo de corte estimado na Amazônia) para a realização de uma nova exploração.

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Assim como aconteceu no passado, atualmente nas áreas de expansão, além da exploração ser mal conduzida, as florestas são, posteriormente, derrubadas e queimadas para a formação de pastagem. Muitos proprietários rurais acreditam que, explorada a madeira, a área não tem mais valor econômico, fato esse que os leva a desmatar em corte raso para implantar atividades agropecuárias.

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A importância do manejo florestal consiste em dar valor econômico à floresta mesmo após a primeira colheita, pois vale a pena preservá-la até um novo ciclo de corte. A exploração madeireira mediante manejo florestal sustentado é uma atividade econômica não-predatória da floresta, que, por manter a cobertura natural, preserva a ecologia do meio. Acrescente-se a isto as potencialidades da biogenética, da exploração de produtos não-madeireiros (cipós, plantas, essências e raízes) e do ecoturismo. Preservar a floresta não será apenas ecologicamente correto, mas, principalmente, economicamente rentável. A riqueza da biodiversidade do Brasil, que detém 23% do total de espécies do planeta, coloca-o em posição de vanguarda no mercado mundial de produtos biotecnológicos, que movimenta 780 bilhões de dólares por ano.

O Estado do Pará, com uma superfície de área de 1.248.042 Km2 que corresponde a 15% da superfície brasileira e 24% da Amazônia Legal, possui um rico e diversificado ecossistema. Sua composição florística consta, na grande maioria, de uma vasta, extensa e rica floresta tropical que por sua vez possui um extraordinário potencial madeireiro. Por ser um recurso natural renovável a exploração das florestas tem condições de atender a crescente demanda das necessidades nacionais e mundiais de madeira e produtos derivados, desde que feita racionalmente através do manejo florestal sustentável, que é a forma de administrar a floresta para obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema.

plano_maneO plano de manejo pode ser organizado em quatro etapas. Na primeira etapa, faz-se o zoneamento ou divisão da propriedade florestal em áreas exploráveis; áreas de preservação permanente e áreas inacessíveis à exploração. A segunda etapa consiste no planejamento das estradas secundárias que conectam a área explorada às estradas primárias. Na terceira etapa, divide-se a área alocada para exploração em blocos ou talhões de exploração anual. A quarta etapa consiste nas práticas silviculturais após a exploração que permitirá o crescimento das árvores de acordo com o desenvolvimento da floresta.

As operações que compõem o manejo florestal são:

  • Atividades pré-exploratórias: demarcação do talhão, inventário florestal (100%), corte de cipós, processamento de dados e mapeamento.
  • Planejamento da extração: marcação das árvores, planejamento das estradas e pátios.
  • Infra-estrutura: construção de estradas e pátios e demarcação das trilhas de arraste.
  • Extração: operações de corte, derrubada, arraste e operações nos pátios.
  • Tratos silviculturais após a exploração: plantios de espécies florestais em clareiras abertas e desbaste ao redor de árvores juvenis e intermediárias.

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Reflorestamento

reflorestA produção de madeira através do fomento florestal (pequenos e médios proprietários) nas áreas de influência das indústrias consumidoras deve ser reconhecida como estratégica e como política operacional de muitas empresas orientadas, principalmente, para minimizar a imobilização de recursos de investimento no fator terra. Assim, as empresas garantem parte da matéria-prima para abastecer as suas fábricas, ao mesmo tempo em que garantem renda adicional ao produtor.

Por outro lado, a elevada produtividade média dos reflorestamentos que hoje atinge trinta metros cúbicos por hectare, anualmente, supera a produtividade da floresta nativa que é de um metro cúbico, por hectare, anualmente, conforme pesquisas da EMBRAPA Oriental. Isto significa que um hectare reflorestado resulta na proteção, em média, de VINTE hectares de floresta nativa. A mata nativa se modifica somente pela morte natural de árvores e outros componentes naturais, aleatoriamente, o que conduz a sua baixíssima produtividade anual.

O reflorestamento é, assim, garantia da proteção das florestas nativas, como complemento ao manejo florestal sustentável.